100 vezes Cleyton no Bruscão
Quem imaginava que o rapaz de 23 anos, que veio por empréstimo do Avaí no ano de 2012 alcançaria uma marca muito difícil de se estabelecer em um clube com pouco calendário? Isso é o que o zagueiro Cleyton vai alcançar no final de semana, quando o árbitro apitar o início da partida entre Barroso e Brusque, pela 7ª rodada do Catarinense.
Essa será a partida de número 100 do jogador, que entre idas e vindas alcança uma marca importante na história do Brusque Futebol Clube. Indicação do então treinador e ex-zagueiro do clube, Marcelo Caranhato, Cleyton chegou para um desafio complicado, manter a equipe na Série A do Catarinense naquela temporada.
Início complicado e identificação com o clube
Ele lembra das condições da época e do desafio que era representar o clube naquela ocasião, situação em que o time acabou rebaixado com algumas rodadas de antecedência. Apesar dos 13 jogos disputados naquele ano, o próprio Cleyton prefere afirmar que sua história realmente iniciou no Brusque na temporada 2013.
E justamente em 2013 que a identificação dele com o clube e também com a cidade começaram a se fortalecer. Mesmo começando o campeonato na reserva, Cleyton foi buscando aos poucos suas oportunidades, e logo após a saída de Alexandre Carvalho ganhou espaço entre os titulares de Rogério Perrô, no time que conseguiu o acesso para a elite do Catarinense, além do vice-campeonato da segunda divisão.
Chegada de Pingo e um novo Cleyton em campo
Depois da segunda temporada na equipe, Cleyton renovou o contrato para o Catarinense 2014, e foi ali que ele encontrou um dos profissionais que mudou seu estilo de jogo. Foi com a chegada de Pingo ao comando técnico do Brusque que uma das duplas mais consistentes da defesa do Brusque nos últimos tempos se formou.
“Eu era mais na força e na vontade, aí chegava o Néris com a calma dele. Foi uma combinação muito boa”, lembra o zagueiro das partidas ao lado de Néris, hoje zagueiro do Internacional de Porto Alegre (RS). E muito do sucesso da dupla se deve a Pingo, já que Cleyton indica que o treinador fez o seu lado técnico se ressaltar ao longo da pré-temporada e dos 10 jogos em que comandou o Brusque.
Apesar do entendimento entre os zagueiros e das boas atuações, a equipe acabou sendo rebaixada para a Série B do Estadual, situação já vivida anteriormente por Cleyton. E depois de um período jogando no Villa Nova (MG), o zagueiro não negou a chance de voltar ao clube para mais uma vez ajudar em um momento complicado.
2015: o começo dos bons tempos do clube
A briga no ano seguinte foi para voltar à elite do futebol catarinense. E a temporada não começou muito bem, no quesito resultados. Apesar da dupla de zagueiros formada por ele e pelo experiente Rogélio ter boas atuações, a falta de gols foi uma das marcas no início da campanha na Série B.
E depois da troca de técnico aconteceu um dos momentos mais marcantes apontados por Cleyton em sua história no Brusque. 23 de agosto de 2015, o Brusque enfrentava o Concórdia no Augusto Bauer em uma tarde ensolarada de domingo. Porém, parecia que o dia seria do time do oeste, que abriu o marcador e ampliou de pênalti após expulsão do goleiro Wanderson.
“Ele (Wanderson) foi para o vestiário chorando, e no intervalo falei que nós iríamos reverter o jogo”. A promessa de Cleyton se cumpriu, com um gol dele, outro de Carlos Alberto e duas pinturas de Eliomar, que havia virado titular naquele jogo. No final das contas, 4 a 2, e mais a frente, o acesso e também o título daquela Série B.
Temporadas de afirmação para clube e atleta
2016 chegava e o Brusque, muito menos Cleyton queriam ver a equipe continuar na gangorra de acesso e descenso. Com uma equipe forte e atuações seguras, apesar de não vencer fora de casa, o time fez uma campanha suficiente para garantir a vaga na Série D do Brasileiro por duas temporadas e também acabou levando uma vaga na Copa do Brasil. Já na Série D, o time foi até a segunda fase da competição.
Já a temporada de 2017, que ainda não terminou, segue em afirmação do clube no cenário estadual, além da boa impressão deixada nos confrontos da Copa do Brasil contra Remo e Corinthians, que chamaram a atenção de todo o país para o campeão catarinense de 1992.
100 jogos? Cleyton quer mais com o Brusque
Apesar de ser uma marca expressiva, e que poucos conseguiram atingir com a camisa do Brusque, os objetivos de Cleyton no clube ainda não acabaram. “Quero ajudar o clube a crescer, pra mim chegar até a segunda fase da Série D não é o suficiente. Quero jogar mais e conseguir um acesso para a Série C com o Brusque”.
E mesmo chamando a atenção de outros clubes, o que pode tirá-lo do Brusque num futuro próximo, o zagueiro pensa em retribuir o carinho e a confiança recebidos pelo clube e pela cidade: “Eu penso em encerrar a minha carreira como jogador aqui no Brusque”.
Confira abaixo os números de Cleyton temporada a temporada (99 jogos):
2012 – 13 jogos e 1 gol (Catarinense Série A)
2013 – 20 jogos e nenhum gol (Catarinense Série B e Copa SC)
2014 – 16 jogos e 1 gol (Catarinense Série A)
2015 – 16 jogos e 3 gols (Catarinense Série B)
2016 – 23 jogos e 2 gols (Catarinense Série A e Brasileiro Série D)
2017 (até o momento) – 10 jogos e nenhum gol (Catarinense Série A e Copa do Brasil)
Acompanhe no topo da página o áudio com a entrevista do zagueiro